No último dia 13 comemorou-se os 40 anos do Ato Institucional nº 5. Eu nem sonhava em nascer nessa época mas tenho a mais completa sensação de que continuamos vivemos numa ditadura velada. Continuamos vivendo nos sentindo aprisionados, vigiados, como se a qualquer momento fossemos privados da liberdade. E não acontece isso na vida mesmo? Em quantas pessoas você já confiou e acreditou e zap! com as intenções que estavam somente naquela cabecinha a sua vida se transformou, seu castelo desmorou e sobrou pra você limpar a sujeira, curar a ferida e ficar de pé? Por quantas coisas você se privou por acreditar? Quantas vezes você já ficou preso a um relacionamento, a um emprego, a uma situação que às vezes nem criou por causa de outros? Fora toda essa sensação externa de ser seguido, aprisionado e vigiado (porque afinal o que fazem o celular, o gps, as câmeras de segurança, a câmera que te filma no trânsito enquanto você inocentemente ouve seu sonzinho, esperando o farol abrir?) ainda te privam do que você deve saber. Liberdade de imprensa? Democratização? Nem tanto... Você tem opções? Só de mudar o canal ou deixar desligado, porque isso sim te salva de algum mal. A cultura é limitada e ainda hoje muito do que os conglomerados nacionais de comunicação poderiam fazer por você, são comandados pelos mesmos ou por filhos e netos daqueles que ocupavam as cadeiras da ditadura. Está na mão de poucos e sempre espertamente calculado para controlar aquilo que você deve saber ou que acham que será conveniente para suas vidas, seus anseios e contas bancárias.Quer mais?
"Até canções para crianças já foram utilizadas nessas práticas. Christopher Cerf, compositor da trilha de “Vila Sésamo”, diz ter ficado horrorizado quando descobriu que as músicas do programa infantil foram usadas em interrogatórios. “Eu não ia querer que minha música fosse parte disso.” Outros músicos, por sua vez, dizem ter ficado orgulhosos de terem suas canções usadas com esta finalidade. Stevie Benton, baixista do grupo Drowning Pool, se apresentou no Iraque e gravou uma das canções preferidas dos interrogatórios, intitulada “Bodies”. “As pessoas presumem que deveriam se sentir ofendidas por alguém no exército achar a sua música perturbadora o suficiente para acabar com um sujeito psicologicamente”, disse ele à revista “Spin”. “Fico honrado em pensar que talvez uma canção minha possa suprimir ataques como o de 11 de setembro.” Em entrevista por telefone à AP, Vance disse que a tortura pode transformar homens inocentes em loucos. “Eu não tinha lençol ou cobertor. Se tivesse, teria tentado suicídio.” Depois de 97 dias de tortura sonora, Vance foi libertado. “Hoje, mantenho minha casa em silêncio total”, diz.
Pois é...passe séculos, 40 anos e eu ainda me pergunto: tem limite para a crueldade da mente humana? Por que é que eu não me surpreendo?
Ouvindo:" You can´t bring me down" - Suicidal Tendencies